B. Camboriú – São Francisco – Caiobá
Janeiro de 2013. Já que é com os erros e com o sofrimento que aprendemos, posso dizer que nessa viagem de bicicleta eu aprendi alguma coisa. Era pra ser uma viagem bem tranquila e sem muita preocupação com horários e velocidade. Partindo de Balneário Camboriú com destino final em Curitiba e paradas em São Francisco do Sul e Caiobá, a previsão era de pedalar no máximo 120 km por dia, assim eu teria bastante tempo para descansar e tirar algumas fotos.
Sexta-feira
No primeiro dia tudo aconteceu conforme o previsto. Saí de Balneário Camboriú perto das 11 da manhã. A viagem até São Francisco do Sul foi bem tranquila e relativamente rápida. Tive apenas um pneu furado na altura de Barra Velha e cheguei ao final da tarde no destino. O Centro Histórico de São Francisco esta muito bem cuidado, com casas e lojas muito antigas e num estado de conservação impressionante. A ideia era acampar em San Chico naquela noite, mas o camping mais perto ficava a uns 20km do centro, e eu estava um pouco cansado para procurar um lugar seguro para acampar. Então me hospedei num hotel ali mesmo no Centro Histórico, onde aproveitei para tirar várias fotos das construções antigas. Aproveitei o tempo sobrando do final da tarde e inicio da noite para ir num bar que fica atrás do Mercado Municipal onde ‘jantei’ algumas cervejas e uma porção de fritas.
Baía da Babitonga
Os problemas começaram – e terminaram – no segundo dia.
Pelo meu planejamento eu deveria fazer um percurso curto nesse dia. Então acordei tarde – perto das 9:00 – tomei café da manhã no hotel e fui fazer um passeio a pé pela cidade. Tirei mais algumas fotos, voltei para o hotel e arrumei as coisas para seguir viagem. Pelo planejamento eu iria pegar uma lancha para atravessar a Baía da Babitonga (entre as cidades de São Francisco e Itapoá). Porém a próxima lancha só iria partir as 16:00 horas. Eu achei que teria que esperar muito, então fui atrás de um plano B. A segunda opção era pegar o Ferry Boat, mas o ponto de partida era a 20km a oeste de onde eu estava. Achei que valia a pena andar esses 20km a mais e fui até o Ferry Boat. Cheguei perto de 12:40 no Ferry. Porém a próxima balsa só partiria as 14:00. Aproveitei o tempo para almoçar um peixe, já cozido, que eu levava em minha bagagem.
35km em estrada de chão
Ao final da travessia já passavam das 15:00. Foi quando eu percebi o obvio. Eu teria que voltar os 20km a mais que eu andei para pegar o Ferry, com o detalhe que esse trecho – e mais cerca de 15km – era todo em estrada de chão. Eu até prefiro andar por estradas de chão, acho muito mais divertido e emocionante, mas essa estrada estava num estado muito ruim, com um buraco atrás do outro, onde eu não conseguia andar a mais de 10km/h. Provavelmente o peso da carga e os solavancos da estrada causaram um desgaste no meu equipamento – que já tem alguns quilômetros rodados – pois logo em seguida eu comecei a ouvir alguns sons estranhos vindo da minha roda. Não demorou muito e as minhas marchas começaram a trocar sozinhas. Parei para analisar o problema e vi que a catraca da bicicleta estava torta em relação ao eixo da roda. Com uma chave de fenda alinhei a catraca e consegui andar mais alguns quilômetros sem muitos problemas. Mas logo em seguida o problema voltou, e pior. Já perto da praia de Itapoá parei novamente e vi que a catraca estava bem fora do seu eixo, analisando melhor vi que ela estava solta do resto da roda, assim eu girava o pedal e a corrente, mas a catraca não transferia toda a força para a roda, girando em falso.
Chegada em Caiobá
Para fazer a bicicleta sair do lugar eu tinha que torcer para uma marcha engrenar e pedalar muito além do normal para fazer alguns poucos quilômetros. Consegui com muito custo chegar até a cidade de Guaratuba, uns 40km a frente. Lá, atravessei a cidade e fui empurrando a bicicleta até o Ferry Boat que leva até Caiobá. No Ferry Boat consegui uma carona com uma família que estava em uma caminhonete S-10 com a caçamba vazia e fui de carona até a casa de meu amigo Marcelo Balam em Caiobá, chegando perto das 22:00.
Desistindo de finalizar a viagem
Na casa do Marcelo desmontei a roda e constatei que os pequenos ‘dentes’ que prendem a catraca no eixo da roda estavam todos quebrados. Como o dia seguinte era domingo e não tinha nenhuma bicicletaria aberta para comprar outra catraca, não me restou outra opção a não ser desistir do resto da viagem.
Voltei de carona com o Marcelo para Curitiba na segunda-feira. Infelizmente na hora do apuro com os problemas na bicicleta não lembrei de tirar fotos da estrada de chão e da bicicleta quebrada. Mas pelo menos aproveitei um domingão de sol na piscina da casa do Marcelo em Caiobá, regado a caipirinha e queijo com orégano.
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