Coluna do Leônidas
COLUNA PERIÓDICA ESCRITA PARA A REVISTA DO CLUBE DUQUE DE CAXIAS – CURITIBA – PR
EDIÇÃO SET/OUT 2013 – Disponível na página 27 em http://clubeduquedecaxias.com.br/pub/revistas/61.pdf
DE VOLTA PARA O FUTURO?
Em algum destes dias chuvosos, precisei ir até uma loja perto do Terminal do Boa Vista, por volta das 18h. Como estava chovendo e o frio imperdoável, resolvi ir de carro. O congestionamento formado pelos carros, a partir do semáforo da via rápida com a Rua Marcelino Nogueira já estava chegando à esquina da Rua Costa Rica, essa mesma que dá acesso à Duque.
Demorei mais de 15 minutos para percorrer uma distância de pouco mais de 500 metros – quando faço este mesmo percurso a pé, levo menos de 10 minutos e, claro, de bicicleta, em apenas dois minutos. Fiquei pensando como deve ser complicado passar por essa situação diariamente.
Por mais que todo mundo saiba, nunca é demais ressaltar que, segundo especialistas da área de transportes de diversos países, a bicicleta é o meio de transporte mais eficiente para deslocamentos de curta e média distância. Além disso, ela não emite poluentes, não há dificuldade em estacioná-la, favorece a economia de combustível, diminui os espaços ocupados nas vias públicas e, em casos como esses, diminui o tempo total da viagem. Mas as vantagens de se usar a bicicleta vão além de itens relacionados diretamente ao trânsito, sendo também percebidas no bolso – levando em conta o seu custo em comparação aos valores dos automóveis (além de peças, revisões, manutenção e impostos) – e, claro, na saúde de quem pedala.
Porém, os dois grandes motivos apontados pelos ciclistas de fim de semana para não usar a bike diariamente são a insegurança e a falta de infraestrutura viária adequada.
Curitiba foi uma cidade pioneira em ciclovias. A rede, que começou a ser implantada na década de 1970, conta com pouco mais de 100 km de vias exclusivas para bicicletas. Porém, nas décadas de 1990 e 2000, este sistema ficou obsoleto pela falta de investimento em manutenção e abertura de novas rotas.
Assim, se um ciclista precisa ir do Bacacheri para o Centro, por exemplo, usando apenas as ciclovias, ele precisará fazer uma grande volta, passando pelo parque São Lourenço ou, então, pelo Jardim Botânico. Além do percurso estendido, há o risco de assaltos, pois essas vias ficam praticamente desertas durante a semana.
Mas, felizmente, o descaso das autoridades públicas com a bicicleta vem mudando vagarosamente nos últimos anos. A atual gestão da Prefeitura de Curitiba foi eleita empunhando a bandeira da sustentabilidade e prometendo atitudes concretas para incentivar o uso da bike como meio de transporte diário.
Novo Plano Diretor Cicloviário
Depois de algumas intervenções pontuais, a Prefeitura anunciou, em 6 setembro, o novo Plano Diretor Cicloviário para Curitiba, elaborado por técnicos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc). O instituto promete atender os anseios de parte da população que tem a bicicleta como meio de locomoção para o trabalho, estudo, lazer ou prática desportiva.
A primeira iniciativa no novo plano será acalmar a Av. Sete de Setembro, reduzindo a velocidade média dos veículos para 30 km/h, e a demarcação de faixas exclusivas para que ciclistas tenham mais segurança ao se locomoverem pela via. Além disso, até o fim da gestão, estão previstos vários investimentos na área, como a criação de paraciclos (os “estacionamentos” das bikes) e de várias novas rotas em Curitiba. Já houveram discussões para acalmar toda a área central da cidade, dando preferência para deslocamentos feitos de ônibus, bicicleta e a pé. O planejamento completo pode ser acompanhado no site oficial da prefeitura.
Resta-nos, agora, acompanhar o andamento das obras e fiscalizar se, realmente, essas ideias vão “pegar” ou se elas vão continuar apenas no papel ou restritas aos intermináveis debates políticos.
Imagino que Curitiba poderá voltar a ser aquela “Cidade do Futuro”, como ficou conhecida mundialmente nas décadas de 1970 e 1980, se realmente este plano for posto em prática. Vamos esperar! •
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PRIMEIRA EDIÇÃO – INÍCIO
http://www.clubeduquedecaxias.com.br/pub/revistas/59.pdf - pagina 38
Olá, meu nome é Leônidas Moro Harger, sou analista de sistemas e sócio do Clube Duque de Caxias há muitos anos. Nesses anos participei de várias atividades esportivas dentro da Duque como o tênis de mesa, futebol e musculação.
Hoje eu pratico o ciclismo de longa distância. Nos últimos anos fiz algumas viagens de bicicleta pela região sul do país e participei de competições amadoras de longa distância.
Convidado pela Adriane Baldini (Jornalista responsável pela Revista da Duque) começo, nessa edição, a escrever uma coluna periódica sobre a bicicleta e transportes alternativos em geral. O nosso objetivo é valorizar o ciclismo, como esporte ou transporte alternativo, esclarecer paradigmas e, quem sabe, despertar em outros a vontade de pedalar.
Início
Quando comecei a levar a sério esse “negócio de pedalar por aí” eu não imaginava que a minha vida iria mudar tanto por causa de uma bicicleta. A minha meta era treinar para conseguir chegar ao litoral do Paraná de bicicleta, uma ideia muito antiga que decidi colocar em prática alguns anos atrás.
Muitas pessoas me desestimularam e falaram que era difícil fazer uma viagem dessas mas, com o passar do tempo, percebi que isso seria muito mais simples do que imaginava. Naquela época eu tive muita sorte de ser influenciado pelo meu amigo Henrique Santos (professor da academia da Duque) que me instruiu com dicas importantes, indicou o melhor equipamento para o meu perfil e me orientou nos treinamentos.
Meu objetivo era apenas ir até a praia de bike e, provavelmente, nunca mais fazer alguma coisa parecida. Porém, com o início dos treinos, eu descobri um mundo totalmente novo.
Diferente de alguns outros esportes, o ciclismo amador é altamente agregador. Fiz novas e grandes amizades e conheci gente de todas as faixas etárias e condições sociais. Muitas dessas pessoas eram grandes atletas que estavam treinando para alguma competição e várias outras eram apenas pessoas “normais” praticando uma atividade física.
Alternativa para o transporte urbano
Depois de fazer as primeiras viagens, comecei a usar a minha bicicleta também em pequenas atividades do meu dia-a-dia, como ir ao banco e à padaria. Atualmente a bicicleta já está totalmente integrada à minha rotina diária. Hoje eu a uso para praticamente tudo e vou trabalhar quase todos os dias pedalando.
Relatando as minhas experiências em viagens, ou mesmo em trajetos pela cidade de Curitiba, pretendo mostrar para as pessoas que existem alternativas baratas e muitas vezes até mais práticas para o transporte no nosso dia-a-dia.
Alguns ciclos-ativistas propõem a substituição total do carro por meios de transportes alternativos como a bicicleta ou o ônibus. Porém, eu não quero dizer para você, que lê essa coluna, vender o seu carro e sair por aí andando a pé ou de bicicleta. Eu sei que no mundo competitivo que a gente vive isso é impensável, mas existem alternativas.
As pessoas têm compromissos, metas e tempos diferentes, então seria interessante que cada um pensasse em uma alternativa própria para o seu transporte. Se você tem interesse em começar a pedalar diariamente, poderia começar a definir pequenas metas como, por exemplo, ir ao trabalho uma vez por semana, ou por mês, de bicicleta ou até mesmo a pé.
Coluna Periódica
Para as colunas das próximas edições da revista da Duque eu pretendo trazer textos com dicas de trajetos, equipamentos e treinamentos para pedaladas urbanas e em estradas.
Por enquanto sugiro, aos que puderem, que vejam alguns relatos de viagens em meu site www.viagemdebicicleta.com.br ou entrem em contato pelo email contato@viagemdebicicleta.com.br.


